Elevadores fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Entrar, apertar um botão e esperar chegar ao destino é um gesto automático, quase sem pensamento. Mas em um prédio comercial antigo, esse hábito simples começou a revelar algo inquietante: o elevador parava em andares que não existiam no painel.
No início, ninguém levou a sério. Até perceberem que o elevador não estava com defeito. Ele estava obedecendo a algo.
Um Prédio Antigo no Centro da Cidade
O prédio tinha mais de cinquenta anos e ficava em uma área movimentada da cidade. Durante o dia, era cheio de escritórios, clínicas e consultórios. À noite, permaneciam apenas o vigia, alguns funcionários e raros profissionais que trabalhavam até tarde.
O edifício possuía dois elevadores antigos, reformados apenas no necessário para continuar funcionando. O painel indicava do térreo ao 12º andar, além de dois subsolos.
Nada fora do comum. Pelo menos no papel.
As Primeiras Paradas Estranhas
Funcionários começaram a relatar que, durante a madrugada, o elevador às vezes parava sozinho entre andares. As portas se abriam lentamente, revelando apenas um corredor escuro e silencioso.
Não havia placas, portas ou iluminação adequada. Apenas um espaço estreito, diferente de qualquer andar conhecido do prédio.
Ao fechar as portas, o elevador seguia normalmente para o destino solicitado.
A administração atribuiu o problema à idade do equipamento.
O Número Que Não Aparecia no Painel
Com o tempo, os relatos ficaram mais específicos. Algumas pessoas afirmaram ver o visor digital marcar um número inexistente, como 13 ou 14, mesmo o prédio oficialmente terminando no 12º andar.
Curiosamente, esses números só apareciam por alguns segundos, desaparecendo antes que alguém pudesse fotografar.
Quem estava dentro do elevador sempre relatava uma sensação estranha, como se o ar ficasse mais pesado durante essas paradas.
O Andar Onde Ninguém Saía
Em várias ocasiões, o elevador parou em um desses andares “fantasmas”, abriu as portas e ficou parado por tempo demais. Nenhuma pessoa entrava. Nenhuma pessoa saía.
As câmeras internas mostravam os ocupantes olhando para fora, visivelmente desconfortáveis, mas ninguém tinha coragem de pisar naquele corredor desconhecido.
Assim que as portas se fechavam, o elevador voltava a funcionar normalmente, como se nada tivesse acontecido.
A Descoberta nos Arquivos Antigos
Um funcionário antigo do prédio decidiu pesquisar documentos antigos. Em plantas arquitetônicas desatualizadas, encontrou algo curioso: versões antigas do projeto indicavam a existência de um andar técnico entre o 12º e o telhado.
Esse andar teria sido desativado décadas atrás, após uma reforma estrutural. As escadas e acessos foram removidos, e o espaço foi isolado.
Oficialmente, ele não existia mais.
Mas o elevador parecia lembrar.
O Relato do Vigia Noturno
O vigia que trabalhava no turno da madrugada contou que, certa noite, estava sozinho no prédio e decidiu usar o elevador para subir até o último andar.
No meio do trajeto, o elevador parou. As portas se abriram.
Ele descreveu um corredor estreito, com paredes antigas e uma iluminação fraca, amarelada. Não havia identificação do andar. Apenas silêncio.
Segundo ele, antes que pudesse reagir, ouviu passos distantes, como se alguém estivesse andando lentamente naquele espaço.
As portas se fecharam sozinhas.
O vigia pediu transferência poucos dias depois.
Tentativas de Bloquear os Andares
Após diversos relatos, técnicos foram chamados para revisar o sistema. Programaram o elevador para ignorar qualquer comando fora dos andares registrados oficialmente.
Durante alguns dias, o problema pareceu resolvido.
Até que, em uma madrugada, o elevador passou a descer sozinho até um andar abaixo do subsolo -2, algo que não constava em nenhum registro técnico.
O visor não mostrava número algum.
A porta se abriu apenas alguns centímetros e se fechou rapidamente.
As Câmeras Que Paravam de Gravar
Outro detalhe perturbador foi observado nas câmeras internas do elevador. Sempre que ele parava nesses andares inexistentes, a gravação sofria falhas.
A imagem congelava ou ficava distorcida por alguns segundos. O áudio captava apenas um ruído baixo, semelhante a vento passando por um espaço fechado.
Nenhuma falha era registrada em paradas normais.
O Funcionário Que Quase Saiu
Um funcionário novo, sem conhecer a história, relatou que certa madrugada o elevador parou em um desses andares e as portas se abriram completamente.
Segundo ele, viu um corredor mais largo do que o normal, com portas fechadas dos dois lados. Algumas pareciam antigas demais para aquele prédio.
Por um momento, teve a sensação de que alguém o observava de dentro de uma das portas.
Ele apertou o botão de fechar repetidamente até que as portas se fecharam.
No dia seguinte, pediu demissão.
O Elevador Ainda Funciona
Hoje, o prédio continua em funcionamento. Durante o dia, os elevadores operam normalmente, sem qualquer relato estranho.
Mas à noite, funcionários mais antigos evitam usá-los sozinhos. Preferem escadas, mesmo cansados.
Alguns juram que, ao passar perto dos elevadores de madrugada, conseguem ouvir o som de uma porta se abrindo em um andar que não existe.
O Medo de Chegar Onde Não Deveria
Essa história assusta porque mexe com algo automático: confiar que o elevador só vai onde conhecemos. Quando ele começa a acessar lugares apagados, esquecidos ou escondidos, surge a sensação de que o prédio guarda mais do que aparenta.
Talvez aqueles andares nunca tenham deixado de existir completamente.
Talvez apenas não façam mais parte do mapa oficial.
E, se algum dia você entrar em um elevador vazio, apertar um botão comum e sentir que ele está indo longe demais, talvez seja melhor sair na primeira parada.
Alguns destinos não foram feitos para receber visitas.